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Gaël Faye confirmado na Flip 2019

Rapper e romancista nascido no Burundi e radicado na França, Gaël Faye é a 14ª presença confirmada na Flip 2019, que acontece de 10 a 14 de julho, em Paraty. Por Meu pequeno país (Radio Londres, 2019) seu livro de estreia que teve os direitos vendidos para mais de 30 países, o autor foi vencedor do prestigioso prêmio Goncourt des Lycéens em 2016, ano em que foi publicado originalmente. Com uma adaptação cinematográfica em curso, a obra ficcional – mas baseada em experiências de sua própria vida – é narrada por um garoto de pai francês e mãe ruandesa que, assim como Faye, teve que sair de seu país natal por conta da guerra civil e do genocídio em Ruanda, que matou mais de 800 mil pessoas.


“A delicadeza de Gaël Faye é impressionante: como rapper, escreve letras que mais parecem poesia lírica. Como romancista, é capaz de narrar uma guerra, uma tragédia sem tamanho, mas pelo filtro sensível de uma criança. Tem algo muito refinado em tudo o que ele faz, uma leveza existencial que não desconsidera a gravidade das situações”, diz Fernanda Diamant, curadora da 17ª Flip.


“Como ele mesmo gosta de deixar claro em entrevistas, Gaël Faye não é um rapper que virou um escritor. É um escritor, e ponto. Mas transita por diferentes formas: às vezes o rap, às vezes o romance. Isso mostra uma qualidade rara, e muito valorizada pela Flip: a de um artista com uma visão ampla das artes, em que os mundos se interconectam e se traduzem mutuamente”, afirma Mauro Munhoz, diretor geral e artístico do Programa Principal da Flip.


O autor e a obra

Gaël Faye nasceu em 1982, no Burundi, na África oriental. Em 1995, mudou-se com a irmã para um subúrbio de Paris, próximo a Versalhes, poucos anos depois da deflagração da guerra civil desencadeada pelo assassinato de Melchior Ndadaye, primeiro presidente hutu e democraticamente eleito do país africano. Um ano antes da mudança, Ruanda, país vizinho onde sua mãe nasceu, sofria com o genocídio de centenas de milhares de pessoas.


Ainda que escrevesse desde criança – o primeiro poema foi rascunhado aos 13 anos –, foi a música a primeira escola artística de Faye. Em 2013, lançou seu primeiro álbum solo, Pili Pili sur un Croissant au Beurre, seguido dos EPs Rythmes et botanique, de 2017; e Des fleurs, de 2018. Este último conta com participação da brasileira Flavia Coelho. Integrando influências do soul, do jazz e de gêneros africanos como a semba angolana e a rumba congolesa, o franco-burundiense retrata constantemente a sociedade francesa e questões de identidade e raça em suas letras.


O debut literário em 2016, com o premiado livro Meu pequeno país, transformou Faye em autor best-seller: são mais de 800 mil cópias vendidas, nos 36 países onde o livro foi traduzido. Acompanhando o jovem personagem Gabriel, que mora em um bairro nobre de Bujumbura, o romance narra o impacto dos conflitos étnicos e políticos na vida de uma criança e a consequente perda de sua inocência. As pequenas cenas delicadas e curiosas, de meninos roubando mangas direto do pé. Em meio a golpes de estado e assassinatos, o protagonista passa a se descobrir como mestiço, tutsi e, posteriormente, francês.


Flip 2019

A 17ª edição da Flip acontece de 10 a 14 de julho, em Paraty, e tem o escritor Euclides da Cunha como Autor Homenageado. Estão confirmados os nomes de Walnice Nogueira Galvão, Kristen Roupenian, Kalaf Epalanga, Sheila Heti, Grada Kilomba, Carmen Maria Machado, Karina Sainz Borgo, Ismail Xavier, Ayelet Gundar-Goshen, Marilene Felinto, Ayobami Adebayo, Miguel Gomes e Jarid Arraes.


Quem faz a Flip

A Flip tem o patrocínio do Ministério da Cidadania, através de sua Secretaria Especial de Cultura, a partir do Edital de Feiras Literárias, e por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, além de Patrocínio Oficial do Itaú e Copatrocínio da EDP e da CMPC. A edição 2019 continua em fase de captação de recursos.


O Institut Français do Brasil e a Embaixada da França no Brasil apoiam a participação de Gaël Faye na 17° Flip.

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