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Balanço da Flip 2014

Paulo Werneck faz um balanço sobre a 12ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty. Confira abaixo.


"Imagino que não haja alguém mais suspeito do que eu, que pela primeira vez tive uma responsabilidade na equipe da Flip, mas achei essa edição estupenda. É claro que, como editor que sou, vejo problemas por todos os lados. Mas as diferentes equipes da Flip conseguiram harmonizar como nunca os pilares que fazem dela uma grande festa: arquitetura, programação, clima geral na cidade. 


Millôr era um homem da praia, e fez prevalecer o clima praiano, de fruição divertida dos debates, de curtição informal. O Millôr e os telões abertos ao público explicam muito disso. Conseguimos também dar conta do desafio de levar a Flip para além de Paraty, com a transmissão por streaming, ações inovadoras nas redes sociais, um ótimo trabalho de divulgação na imprensa e um Pós-Flip muito bem organizado no Rio e em São Paulo, uma repescagem dos autores internacionais da Flip feita para o público que não pôde ir.


Assisti a todas as mesas e sinceramente não consigo destacar, tivemos muitos pontos altos. Houve mesas com forte carga de emoção, como 'Marcados', com Claudia Andujar e Davi Kopenawa, ou a mesa sobre os 50 anos do golpe, com Marcelo Rubens Paiva, Persio Arida e Bernardo Kucinski. São dois exemplos de força afetiva, subjetiva da Flip, posta a serviço da discussão de temas relevantes para o país – tanto é que essas duas mesas ainda estão repercutindo no noticiário, quase um mês depois. Mas houve muitos outros momentos memoráveis – divertidos, nas mesas de Millôr, literariamente quentes, como Villoro e Keret, Prata e Hamid, ou simplesmente brilhantes, como o Paulo Mendes da Rocha, o Pollan, o Solomon ou a mesa da Fernanda Torres com Daniel Alarcón.

Minha obrigação era ficar na Tenda dos Autores das nove e pouco da manhã às onze da noite, então não consegui ver nada além da programação principal. Mas soube pela repercussão entre amigos e junto ao público que aconteceu aquilo que desejávamos: as programações paralelas se integraram às programações oficiais, compondo um grande conjunto de debates que se espalha por uma cidade brasileira, muitos deles gratuitos. Fui questionado por jornalistas se uma programação paralela robusta não tiraria público da Flip. Pelo contrário: potencializa, integra, complementa.


Neste ano, como uma experiência nesse sentido, levamos autores da programação principal para realizar debates em casas de parceiros, muitos gratuitos, e o resultado foi excelente. A FlipMais, na Casa da Cultura de Paraty, foi uma Flip dentro da Flip, com mesas de alto nível sobre poesia, tradução, história do Brasil e humor."

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