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Encontro de poesia e performance lota FlipMais

Um rasgo no tempo/espaço. Assim definiu a poeta e performer Roberta Estrela D'Alva o encontro com a britânica Malika Booker numa das mesas mais aplaudidas da FlipMais, hoje, na Casa da Cultura. A mesa Poesia em Performance foi organizada pelo British Council. 

Representantes do chamado movimento "spoken word", no qual o que se diz é tão ou mais importante quanto a maneira que se diz, as duas fizeram uma hora de poesia, música e performance.

Com luzes ainda apagadas, a platéia que esgotou o auditório ouviu a voz de Roberta dizer "a letra, a voz, a palavra...", versos que abriram um bonito jogral entre o português e o inglês, num poema sobre a memória negra.

Em momentos separados, Malika recitou poemas sobre sua infância e sobre as memórias de uma tia morta. Mesmo quem não entendeu o idioma da autora se emocionou.

Roberta cantou e recitou sobre a condição de menina negra que queria ser Paquita num reino em que a rainha era loira e de olhos azuis. Também manifestou-se com rimas contra a redução da maioridade penal.

Com coro do público que cantou por dez minutos os versos "Cause the sun is gonna shine my backdoor again" (o sol vai iluminar minha porta dos fundos de novo), as duas mostraram o poder das palavras.

No debate após a performance, conduzido pela escritora e crítica Noemi Jaffe, as duas reafirmaram a importância da poesia no mundo atual.

Para Malika, a poesia "diz o que queremos, mas não sabemos como". Segundo Roberta, poesia é um lugar em que nos permitimos ouvir outro ser humano.

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