noticias

a festa

Autores revelam seus livros favoritos

Que livro você levaria para uma ilha deserta? Essa é a pergunta que Liz Calder, fundadora e presidente da Flip, faz todos os anos para alguns convidados de Flip, que leem trechos de seus livros favoritos na sessão que encerra o evento. Nesta edição, participaram da mesa Livro de Cabeceira os brasileiros Daniel Galera e Mamede Mustafa Jarouche, os franceses Jérôme Ferrari e Laurent Binet, os americanos Lydia Davis e Tobias Wolff e o irlandês John Banville.

“Confesso que roubei um pouquinho ao escolher Tchecov”, disse Tobias Wolff, antes de ler um trecho do conto A Dama do Cachorrinho, um dos mais famosos contos do escritor russo. “Ele escreveu mais de 500 histórias traduzidas para o inglês, então quando eu estiver nessa ilha deserta e terminar o último texto, já terei me esquecido dos primeiros.”

Já Lydia Davis revelou que, caso fosse mesmo para uma ilha deserta, levaria o Dicionário Oxford, pois, além de ser enorme, também traz muita literatura. Para o encontro, porém, optou por um trecho de Hotel Mundo, da escritora Ali Smith, no qual uma mulher que caiu no poço de um elevador descreve a própria morte.

John Banville, que participou de uma mesa com Lydia no sábado, compartilhou com o público um trecho de Experience, de Ralf Waldo Emerson, texto que, em sua opinião, é uma declaração da essência do homem americano. “Hoje está na moda falar mal da América, mas, como projeto de aventura, é algo maravilhoso.”

Galera e Ferrari, que estiveram juntos numa mesa neste domingo, leram, respectivamente, trechos dos livros Fala-lhes de Batalhas, de Reis e de Elefantes, do francês Mathias Énard, e As Nuvens, do argentino Juan José Saer. Ferrari fez menção ainda a outra obra de Énard: Zone. “É um livro realmente importante, mas não o escolhi porque é feito de uma só frase.”

Galera, por sua vez, definiu As Nuvens como um livro pequeno (tem menos de 200 páginas) e, ao mesmo tempo, gigante. Para o autor gaúcho, é admirável a forma como Saer trabalha a descrição das paisagens e da natureza de modo a fazer desse momento descritivo um elemento que influencia a vida interna dos personagens.

Mamede Mustafa Jarouche apresentou um trecho de A Lua vem da Ásia, de Campos de Carvalho. “É um dos poucos surrealistas brasileiros e acho absurdo que não seja mais divulgado, mais conhecido, mais lido”, disse ele, citando outras obras do autor, como A Vaca de Nariz Sutil.

Laurent Binet leu um trecho de Vida e Destino, de Vasily Grossman, especialmente por um diálogo que a obra traz, entre um velho general e um jovem político. “É um trecho que me fez pensar muito e que me levou a escrever também.”

“Quem quiser mais Flip venha nos ver nos dias 4, 5 e 6 de outubro, ver como será a FlipSide na Inglaterra”, disse Liz Calder ao fim das leituras, remetendo à versão britânica da festa. Além disso, veio o convite, claro, para a Flip de 2014, que não será em julho, como costuma ser, mas em agosto. “Teremos a Copa do Mundo em julho. Mas eles que deveriam nos dar o lugar, mudar o calendário”, brincou Liz.

share
Logo da Casa Azul