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A mãe paratiense dos irmãos Mann

Personagem até então pouco explorada nas obras publicadas sobre os irmãos escritores Thomas e Heinrich Mann, a paratiense Julia da Silva Bruhns teve trechos de sua história recontada ontem à noite em uma das mesas da FlipMais, na Casa da Cultura de Paraty. O debate marcou o lançamento de Terra mátri - A família de Thomas Mann e o Brasil, de Frido Mann, Paulo Astor Soethe e Karl-Josej Kuschel. 


Mãe dos dois principais escritores alemães do século 20, Julia nasceu em Paraty, em 1851. Viveu num casarão da cidade, o Engenho Boa Vista, até ser mandada por seu pai à Alemanha, após a morte da mãe, a brasileira Maria Senhorinha da Silva. No livro, os autores esquadrinham as marcas deixadas em Julia e nas gerações seguintes pela infância passada no Brasil.


Alguns dos documentos inéditos compilados no livro, publicado originalmente na Alemanha, foram mostrados ontem durante o debate pelo coautor brasileiro Paulo Soethe. Ele e a tradutora de Terra mátria, Sibele Paulino, foram mediados por Johannes Kretschmer. Frido viria à Flip, mas teve de cancelar sua participação por motivos pessoais. 


Entre os documentos mostrados durante a apresentação estava uma carta enviada por Julia ao filho, Thomas Mann, autor dos venerados A montanha mágica e Doutor Fausto. Escrita em alemão, traz trechos em português, como na despedida, ao usar a palavra “afeto”.


No debate, Soethe mencionou também os encontros de Thomas Mann com intelectuais brasileiros como Sérgio Buarque de Holanda e Erico Veríssimo, e evitou polemizar sobre o futuro do casarão onde Julia viveu. Patrimônio histórico, hoje em péssimo estado de conservação, ele teria sido vendido ao navegador Amyr Klink.

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