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A imagem como instrumento do autor

Quando é procurado por alguém interessado em adaptar um livro seu para o cinema, o escritor e tradutor Daniel Galera nunca entende os comentários que invariavelmente escuta junto dos pedidos, de que sua obra é cinematográfica. Para o autor de Barba ensopada de sangue, que dividiu esta tarde uma mesa da FlipZona com Carla Caffé, o fato de sermos o tempo todo bombardeados por imagens nos faz confundir a força imagética de uma história bem escrita, com riqueza de detalhes, com algo que se aproxime de um roteiro cinematográfico.

“Agora, com o roteiro de Mãos de cavalo pronto, eu vejo o filme. Mas quando estou escrevendo, a última coisa que penso é se ele é filmável ou não”, diz Daniel, que participa pela segunda vez da Flip.

A descrição minuciosa, repleta de detalhes, ajudou o autor a pautar os desenhos que o ilustrador Rafael Coutinho faria para Cachalote, graphic novel publicada em 2010.

“Quando estou escrevendo prosa, ou um romance, a construção da imagem se dá na cabeça do leitor e acabou. Em quadrinho a relação é diferente. Na verdade, escrevi para o ilustrador, para instrumentalizar o trabalho dele, e não para o leitor final”, diz. “E é engraçado, porque os trechos com diálogo eram mais curtos no roteiro do que as cenas em que havia somente desenho.”

Diretora de arte de filmes como Central do Brasil, Carla Caffé levou o hábito de infância, de desenhar em seus diários, para a vida profissional. Durante o encontro, mostrou à plateia desenhos e esboços que, ainda hoje, faz em seus diários. Ilustrações que ela usa para conceber figurinos, maquiagens e cenografias, para “projetar o filme”. “Com esses desenhos você calcula quando precisa de figuração, de tempo de execução”, explica. “Fotografia é um disparo, um tiro. E com o desenho de observação, você permanece no local, vivencia, ouve o lugar, cria vínculo que não é instantâneo como a fotografia.”

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