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Um prêmio na APCA!

Em cerimônia realizada no Sesc Pinheiros na noite de 13 de março, a Flip foi premiada pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) na categoria Urbanidade, um reconhecimento da dimensão da Flip na valorização dos espaços públicos e na integração entre artes e cultura.

Mauro Munhoz, arquiteto responsável pelo projeto e diretor-presidente da Casa Azul, destacou em seu discurso que pela primeira vez houve um reconhecimento público do aspecto urbanístico da Flip, que desde o seu início identificou na literatura e na arte, mas também na arquitetura um instrumento de transformação social. 

Leia, abaixo, entrevista concedida por Munhoz à revista sãopaulo, da Folha de S. Paulo.

sãopaulo - É o primeiro prêmio que recebe por conta do projeto da Flip em Paraty?

Mauro Munhoz - O primeiro foi "O Melhor da Arquitetura", da revista Arquitetura e Construção, que premiou a Tenda dos Autores. É interessante que a nossa intenção com a criação da Flip era trazer para Paraty um outro exemplo de dinamização da economia, que não trouxesse os problemas que o veraneio traz [para cidades litorâneas]. 

Algum ponto da capital paulista poderia receber revitalização similar à de Paraty por meio da cultura?

Os grandes desafios do ponto de vista urbanístico para São Paulo são o transporte e a habitação. Com o sucesso da experiência em Paraty, acredito que a forma de aproximar os cidadãos dessas questões é por meio de cultura e educação. São Paulo tem a questão dos transportes muito mal resolvida. Você implanta um corredor de ônibus ou o sistema viário e há um impacto extremamente negativo para a cidade. Isso acontece porque as intervenções são feitas à distância da população. Uma forma interessante é integrar projetos culturais que criam o envolvimento da população com o espaço público e articular isso com os projetos de habitação, transporte e revitalização urbana. 

Em uma cidade como São Paulo, com tantos problemas, essas questões acabam sendo deixadas de lado pelo poder público?

Uma megalópole é feita de várias pequenas comunidades. Não podemos esquecer que existem as pessoas e os bairros e, a partir desses grupos, construir a relação direta entre quem habita e quem faz a gestão dos espaços públicos. Essa relação é fundamental. Não pode existir uma separação entre as instituições, que são a representação dessas comunidades, e as próprias comunidades. Isso é uma coisa a ser construída. 

Em Paraty esse problema foi superado?

De forma nenhuma, é uma relação extremamente conflituosa. Lá, temos problemas seríssimos. O que gente pôde fazer foi um projeto cultural para mobilizar as pessoas em torno dessas questões. Mas o processo está só começando. Esse projeto cultural foi bem-sucedido, mas até chegar à representação das instituições ainda há um longo processo. 

O senhor afirma que precisamos fazer projetos nas áreas de transporte e habitação. Mas no centro de São Paulo não poderia ser feito um projeto cultural imediatamente?

A Virada Cultural, por exemplo, é um grande evento para São Paulo. É uma atividade cultural que mexe com a percepção das pessoas com a própria cidade. E com o Museu do Futebol conseguimos transformar o futebol numa representação que tem o cinema, a literatura. 

Tem algum projeto para a capital paulista?

Tenho muita intenção, mas ainda não é um projeto institucionalizado, que é a revitalização da praça Charles Miller. Ele está numa fase de articulação entre o Instituto da Arte do Futebol Brasileiro, responsável pela gestão do Museu do Futebol, a prefeitura, a associação de moradores, a administração do estádio do Pacaembu, a Polícia Militar... Todas as instituições que estão envolvidas na questão da praça. 

Como seria essa revitalização?

Por meio da cultura. A ideia é pensar atividades na praça Charles Miller, o desenho de requalificação dela para deixá-la apta para atividades culturais. Por exemplo: exposições ao ar livre e melhor infraestrutura para as feiras livres. Mas da maneira como trabalhamos leva tempo. Partimos de uma análise profunda das características de como a população pode se apropriar do espaço requalificado. É um processo mais lento, mas que ao se consolidar traz resultados duradouros, como o Museu do Futebol e a Festa Literária.


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