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Teju Cole, mais um nome confirmado

O americano Teju Cole, vencedor do Hemingway/PEN Award de Melhor Ficção por seu romance de estreia, Cidade aberta, participará da décima edição da Flip, de 4 a 8 de julho. 

Nascido no Estado de Michigan, nos Estados Unidos, mas criado em Lagos, na Nigéria, Cole, de 36 anos, vem sendo considerado um dos maiores destaques da atual literatura em língua inglesa. Mora nos Estados Unidos desde 1992 e vive atualmente no bairro do Brooklyn, em Nova York.

No seu aplaudido romance, que será lançado no Brasil em junho, o autor narra a história de Julius, um homem do pós-11 de setembro que luta para descobrir como fatos recentes e antigos continuam a repercutir no presente. Nigeriano de ascendência alemã, Julius se mudou para Nova York para fazer residência médica. O jovem psiquiatra nigeriano caminha por Manhattan e lança um olhar de desilusão sobre a metrópole. “Andar pelas ruas é uma lembrança de liberdade”, acredita. Ele não sabe o que deseja ser, e talvez a cidade onde mora não seja um lugar favorável para se reinventar. 

Segundo Cole, que foi comparado pela crítica aos escritores Albert Camus e Joseph O’Neill, o título Cidade aberta insinua interpretações positivas, mas pode significar, também, a cidade que um exército invasor ocupou durante uma guerra e preservou da destruição em troca da rendição. Bruxelas, Paris, Roma e Atenas foram “cidades abertas” durante a Segunda Guerra Mundial. “O termo tem conotação diabólica”, comenta. 

“Para escrever o livro, além de ler muito sobre Nova York, realizei longas caminhadas e descrevi em detalhes o que observei. Há uma tendência de capturar o momento terminante na rotina, na vida cotidiana”, afirma. Ele explica que sua perspectiva é mais ampla do ponto de vista histórico-cultural se comparada com a do personagem, para quem o passado é um “grande espaço vazio”. Cole também é fotógrafo e especialista em história da arte holandesa e está concluindo um doutorado pela Universidade de Columbia.

O escritor admite que haja muito dele no personagem no romance. “Julius é a parte nebulosa e sensível da minha alma, ou talvez ele seja a alma coletiva de Nova York. Ele está ferido e também fere. Gosta das pessoas, mas se aparta delas”, afirma. Nova York é uma cidade aberta, com oportunidades infindáveis, mas que esconde uma armadilha: a fartura de direções leva à paralisia do indivíduo. O protagonista sente a solidão absoluta dos moradores de Nova York, e a oferece ao leitor até o final do livro.

Cidade aberta foi recomendado por Wole Soyinka, primeiro negro a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, em 1986, e por Colm Tóibín, autor de Brooklyn, para quem o livro é “uma meditação sobre história, cultura, identidade e solidão. É um romance para saborear e guardar como um tesouro”. Antes de Cidade aberta, Cole havia publicado apenas uma novela -- Every Day is for the Thief. Escreve frequentemente artigos e contos para jornais como The New York TimesQarrtsiluniChimurengaThe New YorkerTransitionTin HouseA Public Space, entre outros.

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