noticias

festa

Pintar, contar, cantar

Um caipira chileno e um cearense candango ocuparam na manhã de hoje o palco da Flipinha, numa das muitas Cirandas dos Autores que o evento oferece à população infantil de Paraty. Os dois são consagrados escritores e o chileno, Gonzalo Cárcamo (à esquerda na foto), um renomado ilustrador. “O que você seria se não fosse ilustrador?” – perguntou-lhe uma criança ao final do encontro. “Infeliz”, respondeu Cárcamo, sem hesitar. Autor de livros de narrativa visual, Cárcamo compôs com Tino Freitas (à direita na foto), o cearense radicado em Brasília, uma longa conversa sobre textos, ilustrações e a relação entre ilustradores e autores. “O ilustrador também é autor do livro”, garantiu Freitas. O mediador da conversa foi Cláudio Aquino.


Tino Freitas, que é jornalista, músico e produtor cultural, tornou-se escritor por força do hábito de mediar leituras: desde 2006, ele toca, com cinco outros voluntários, o projeto Roedores de Livros, que instiga o prazer de ler em trinta crianças da periferia de Brasília. “Um belo dia, resolvi contar minha própria história e deu certo”, recorda. Na Flipinha, que agora funciona em uma tenda de circo, ele contou a história de seu último livro, Quem quer brincar comigo?, em que vários bichos aparecem na casa da protagonista em busca de companhia para brincar. O público adorou e praticamente contou a história junto com ele, imitando os sons da campainha da casa e dos bichos visitantes.


Já Cárcamo, que nasceu numa cidadezinha chilena chamada Los Angeles, veio estudar arquitetura no Brasil e acabou ficando. Virou ilustrador e animador, acabou publicando caricaturas no Pasquim a partir de 1986 e não parou mais. “Tenho verdadeira paixão por escrever, pintar aquarela e ilustrar livros para crianças”, diz ele, que também faz bonecos de seus personagens, como os que levou para a Tenda da Flipinha. “Tenho profundo respeito pelos autores. Ao ilustrar seus textos, tomo um cuidado muito grande para não corromper o que eles querem dizer.”


É autor de Modelo vivonatureza mortaLorotas da cobra Gabi e Gelo nos trópicos, entre outros. Muitos de seus livros de narrativa visual concentram-se na história não contada da América Latina – como aquele em que imaginou como protagonista uma criança inca pré-colombiana. A uma pergunta do auditório, sobre um conto que o tivesse marcado na infância, lembrou-se de um disco de 78 rpm que continha narrativas da literatura infantil clássica. Entre elas, a que mais o impressionou foi O flautista de Hamelin.

share
Logo da Casa Azul