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No balanço geral, grandes momentos da literatura

Neste domingo, quando se realizavam os últimos debates e apresentações, Liz Calder, criadora da Flip, juntou-se ao diretor-presidente da Casa Azul, promotora do evento, Mauro Munhoz, e ao curador da décima edição, Miguel Conde, para um balanço geral. Neste ano, foram 135 eventos que atraíram 25 mil pessoas a Paraty, um recorde de participantes que esgotaram os ingressos na Tenda do Telão durante alguns dos encontros.


Ao longo dos dez anos de festa literária, compareceram ao palco oficial 327 autores entre os mais renomados de todo o mundo, representando quarenta nacionalidades. “Uma experiência maravilhosa, com uma programação que melhora a cada ano”, observou Liz Calder, comemorando o fato de o clima ter ajudado muito, com dias ensolarados e temperatura amena.


Mauro Munhoz destacou o acerto na redistribuição dos espaços, que acabou ampliando a área e expondo ao interesse dos participantes desde o morro do forte até a margem do rio e a praia do Pontal, expandindo a visão da Praça da Matriz. Lembrou também que o trabalho de comunicação, envolvendo o uso de mídias sociais, permitiu a participação direta de pessoas localizadas em outras cidades, com mais de 270 mil alcançadas pelo Facebook e muitas outras se beneficiando da cobertura pelo Twitter, podendo enviar perguntas ao vivo.


“A programação das festas de Paraty colocou os paratienses nos dois lados do evento, como palco e plateia, mostrando aos visitantes a vida cultural e as tradições da cidade”. Munhoz elogiou a qualidade da programação oficial e anunciou que o curador deste ano deverá permanecer na edição de 2013. “Mantemos um festival com foco na literatura mas olhando também o território onde ela acontece”, observou, lembrando a junção da Flip com programas de educação como o projeto bibliotecas-parque, criado pelo governo do Rio de Janeiro e que já colocou 32 bibliotecas funcionando em vários bairros.


Para Miguel Conde, a função de curador se revelou uma experiência muito diferente da atividade jornalística, que costumava cumprir na Flip. Mais difícil, mas também mais gratificante: “Os debates correram muito bem, com a Flip mostrando um panorama do que há de mais interessante na literatura do Brasil e mundial. Ela proporciona a chance de as pessoas encontrarem os autores que admiram”, afirmou.


O novo formato da homenagem, que é completada com uma mostra da sua obra, permite um contato mais direto do público com o autor que é tema de cada ano, acrescentou, informando que esse modelo deve ser mantido na próxima edição da Flip. A exposição em homenagem a Carlos Drummond de Andrade deve continuar em Paraty até dezembro, agregado ao programa pedagógico das escolas, completou.


Uma das novidades, sugerida pelo escritor britânico Ian McEwan, pode ser o estabelecimento de uma linha de navegação para ligar Paraty ao Rio durante a Flip.


Num olhar mais longo sobre os dez anos da festa, Liz Calder considerou como pontos altos, entre outros, a homenagem a Vinicius de Moraes, na primeira versão, além do emocionante encontro entre o israelense Amós Oz e a sul-africana Nadine Gordimer, em 2007. Na versão deste ano, ela destacou a mesa sobre Shakespeare, mas lembrou que houve muitos outros momentos marcantes. Um exemplo? – “Quando Silviano Santiago leu um poema de Vinicius e deixou a cidade suspensa no ar”, concluiu.

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