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Na manhã de sol, a primeira grande frase da semana

Minutos antes de os sinos da Igreja da Matriz baterem nove horas, na manhã ensolarada da quarta-feira, Paraty ouviu a primeira salva de palmas de sua festa literária anual. Foi na Tenda Azul da Flipinha, montada no vão livre entre a praça principal e a beira do rio Perequê-Açu. As palmas foram para a escritora infantil Hebe Coimbra. E irromperam no momento em que ela terminou de ler a sua sonora e divertida história intitulada Na venda de Vera, na qual todas as palavras começam pela letra V.


A garotada, até então um pouco dispersa, se empolgou; e algumas crianças na arquibancada circular afinal desviaram os olhos das telinhas de seus celulares para focá-los nas duas autoras convidadas, ao centro arena. 


Além de Hebe, ali estava a ilustradora paulista Janaína Tokitaka, que também escreve. O primeiro evento da manhã da quarta, intitulado "Com a pulga atrás da orelha...”, teve a mediação de Ana Cláudia Ramos.


“O que eu quero, ao escrever, é colocar a pulga atrás da orelha do leitor”, afirmou Janaína, lançando mão dessa metáfora para referir-se à curiosidade que o texto literário deve provocar no público. Mas advertiu a meninada de que a pulga, embora incomode, “é um incômodo legal, que faz a gente ir atrás de alguma coisa”. 

Janaína recordou seu fascínio pela biblioteca do avô e o efeito inspirador que teriam sobre ela, mais tarde, as histórias do país de seus ancestrais, o Japão. Depois convocou a plateia infantil a lhe ajudar, com sugestões que passaram a ecoar daqui e dali, na produção espontânea de desenhos ágeis no Flip sharp. Seres estranhos e engraçados, como os de Histórias de monstros, título de seu livro em parceria com Hebe. Formada em artes plásticas pela USP, Janaína explicou que às vezes não é fácil, para ela, decidir se começa um novo livro pela parte visual ou pelo texto: “É uma luta entre a imagem e a palavra”.


Sobre o processo criativo, Hebe explicou que o grande desafio do escritor é “buscar uma palavra que caiba na história”. E a própria concepção da estrutura narrativa, para ela, é um fenômeno misterioso, imprevisível. Ao escrever um livro, Hebe se surpreende com os desdobramentos que vez por outra lhe ocorrem ou, nas suas palavras, “quando a imagem não é a que você imaginava”. Essa foi a primeira grande frase da Flip. E saiu na Flipinha.

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