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Micareta da Flipinha

Era um velho paratiense encantado com a saída fora de época da banda de Paraty – quase uma micareta, já que, desde 1954, quando foi fundada a Sociedade Musical Santa Cecília, nome oficial da Furiosa, ela só sai no Carnaval e nas festas religiosas da cidade, que começam em maio, com os dez dias da Festa do Divino, e seguem até novembro, com o ponto alto na Flip, em julho.

A banda é a mais antiga instituição cultural da cidade e sua sonoridade não precisa de alto-falantes, nem de caixas de som: as antigas marchinhas de carnaval, de "Mamãe eu quero" a "Aurora", ecoaram pelo Largo da Matriz no final da tarde de ontem, logo depois do encerramento da programação da Flipinha. Neste ano, tudo se passa em uma tenda de circo próxima à matriz – a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, cuja pedra fundamental data de 1646.

Era muita história reunida de uma só vez, a das pedras que construíram a cidade e a da vitalidade cultural que urde seu tecido vivo. Mas, como se não bastassem cidade e banda, lá estavam também os bonecos gigantes de dois blocos de carnaval tradicionais: o Assombrosos do Morro e o Arrastão do Jabaquara, ambos fundados por José Luiz Alves Cananéia, o popular Biba. E lá estava o Biba, preocupado em compartilhar a autoria dos blocos e dos bonecos com “a comunidade”. Foi a comunidade do Pontal, explicava, referindo-se a um bairro periférico de Paraty, que fundou o Assombrosos nos anos 1970. “Depois mudei para o Jabaquara”, outro bairro periférico, “e a comunidade criou o Arrastão.”

Foi mesmo como uma micareta, um carnaval fora de época: banda e bonecos saíram do Largo, circularam pela cidade, cruzaram a ponte e estacionaram em frente à Tenda dos Autores, sempre seguidos pelo povo e pelos turistas, que iluminavam a festa com seus flashes. E esse foi apenas o primeiro evento de uma programação especial criada pela Casa Azul para celebrar os dez anos de Flip com uma homenagem à cultura e às festas de Paraty. 

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