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Le Clézio: um Nobel para a Flip 2012

Vencedor do Prêmio Nobel de literatura em 2008, Jean-Marie Gustave Le Clézio, é presença confirmada na décima edição da Flip – Festa Literária Internacional de Paraty, que acontece entre os dias 4 e 8 de julho. 

Com uma narrativa marcada pela experiência da guerra e das colônias, Le Clézio é autor de mais de quarenta livros, entre ensaios e ficção. 

Escritor viajante, morou em diferentes países e é um obcecado pela palavras "nômade", "errância", "evasão". Sua fala, escrita e posicionamento costumam carregar um questionamento dos valores do Ocidente, uma nostalgia dos povos primitivos e uma espécie de aflição permanente diante da história europeia. Trata-se de “um escritor de ruptura, da aventura poética e do êxtase sensual, explorador de uma humanidade além da civilização dominante”, segundo a definição dada pela academia sueca. 

Autor de referência na França, destacou-se a partir de Deserto. Lançado em 1986, o romance acompanha a marcha de um exército de maltrapilhos muçulmanos que, com seus camelos, cavalos, cabras, mulheres e crianças, atravessa o deserto de Mauritânia. A densidade do relato valeu ao autor o Prêmio Paul Morand da Academia Francesa. No Brasil, outros cinco títulos de sua autoria foram publicados: A quarentena (1997), Peixe dourado (2001), O africano (2007), Pawana (2009) e Refrão da fome (2009). Em junho, chega ao país História do pé (Cosac Naify), seu mais recente livro, publicado na França em 2011. A obra reúne dez novelas sobre mulheres corajosas, que recusam o cinismo e a brutalidade do mundo. 

Ao relembrar da época em que viveu junto aos índios no México e Panamá, em 1970, Le Clézio afirma dever muito aos dois países: "Essa experiência mudou toda minha vida, minhas ideias sobre o mundo da arte, minha maneira de ser com os outros, de andar, de comer, de dormir, de amar e até de sonhar”, comentou. 

Elogiada por intelectuais como Michel Foucault e Gilles Deleuze, sua obra é marcada por dois grandes períodos: de 1963 a 1975, explorou temas como a loucura, a linguagem, a escrita, dedicando-se à experimentação formal na sequência de contemporâneos como Georges Perec ou Michel Butor. No final dos anos 1970, seus romances se tornam menos atormentados e passam a abordar temas como infância, adolescência e viagens.


Mais sobre Le Clézio


Le Clézio nasceu em 1940, em Nice, na França, filho de um cirurgião nascido na Ilha Maurício (ex-colônia francesa no Oceano Índico), Raoul Le Clézio, e de sua prima-irmã, Simone Le Clézio, francesa. Com apenas oito anos de idade passou a viver na Nigéria, onde seu pai servia como cirurgião do exército britânico. 

Formado em Letras, obteve seu mestrado com uma tese sobre Henri Michaux, na Universidade de Aix-en-provence, em 1964, e concluiu sua tese de doutorado em 1983, sobre a história do México, na Universidade de Perpignan. Casado desde 1975 com a marroquina Jémia, tem duas filhas (uma do primeiro casamento). 

Atualmente, vive entre Albuquerque, no Novo México, ilhas Maurício e Nice.

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