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Fuzarca no centro da praça

A Praça da Matriz é democrática. Nela cabe um pouco de tudo, e os artistas são de todas as idades. Sobre o pequeno palco, montado ao lado do terreiro central, nove homens de meia-idade, com chapéu de palha, fazem ressoar na Flip a música tradicional de Paraty. Os ritmos têm nomes um pouco estranhos aos ouvidos dos forasteiros: ciranda, caranguejo, arara, marrafa, canoa, cana verde de mão, etc. Mas ninguém fica indiferente à batida da timba, uma espécie de tambor alongado e percutido por Edílson, um dos dois únicos que são da cidade. O outro é Leônidas, o cantor, que apresenta à plateia o grupo cirandeiro "Os caiçaras", que já gravou seu primeiro CD. Os demais vieram de lugares afastados da sede do município: Maneco (voz e pandeiro) é da Ilha do Araújo; Julinho (cavaquinho), da Ponta Grossa; Vicente (violão), de Mamanguá; Fred (viola), da Praia Vermelha; Adair (cavaquinho), do Rio Pequeno; Zé Malvão (viola), do Caboco; e Bené (violão), da Barra Grande. E entre eles há gente de profissões tão variadas quanto os ritmos que executam nas músicas: pescador, barqueiro, taxista, lavrador, enfermeiro, contador, sendo que Leônidas, que sobressai como líder, ganha a vida como professor. 


Fundado em 1994, "Os Caiçaras" é um entre a cerca de meia dúzia de grupos similares de Paraty, como também é o caso do “Tarituba”, “Os Coroas Cirandeiros” e o “Ciranda Elétrica”, que congrega a ala jovem da cidade. A apresentação na Flip, diante de tanta gente de fora, é um momento especial para esses músicos. Em outras ocasiões do ano eles podem ser mais ecléticos. “Os Caiçaras”, por exemplo, não se recusa a tocar sambas e valsas em festas familiares, e na última quinta-feira do mês homenageia os aniversariantes no asilo de velhos. 


Logo que os músicos fazem uma pausa na apresentação, surge no centro da praça uma dúzia de jovens com camisetas cor-de-rosa. “A carrocinha pegou / três cachorros de uma vez...”, eles cantam, em formação de roda, e às vezes pulam ou batem palmas. A ciranda é tradicional em Paraty. Enquanto esses jovens se divertem, três meninos brincam de assustar os outros, ocultos dentro de grandes bonecos de dois metros de altura que exibem caretas e túnicas de estampas carnavalescas. De fato, esses personagens caricaturais, construídos no bairro do Pontal por um artesão chamado Jubileu, e que parecem totens irrequietos no centro da praça, durante o carnaval integram um bloco conhecido como “Os Assombrosos do Morro”.

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