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As histórias que nascem dos desenhos e bordados

Sávia Dumont (à esquerda na foto, de branco), mineira de Pirapora, cresceu com sete irmãos entre bordadeiras e contadores de histórias. Kátia Canton, paulista da capital, passou a infância ouvindo contos de fadas na casa de sua tia-avó Cecília. As duas se encontraram na manhã de sexta-feira, dia 6, na Ciranda dos Autores da Flipinha, para uma conversa mediada pela escritora e ilustradora Janaina Tokitaka sobre desenhos e bordados.


Com sete livros de sua própria autoria e outras duas dezenas em colaboração com outros autores e artistas, Sávia é conhecida pela beleza e originalidade de sua obra, nascida nos bordados típicos do interior de Minas Gerais. “É como bordar palavras”, diz, contando como funciona o processo de criação dos livros: “Em geral, meu irmão Demóstenes faz o desenho, minha irmã Marilu passa para o pano e todo o resto da família participa do bordado, com cada um acrescentando ou melhorando o trabalho que conta uma história”.


Kátia Canton estudou arquitetura e jornalismo e se tornou bailarina. Já adulta e trabalhando como jornalista nos Estados Unidos, decidiu revisitar as histórias da tia Cecília ao preparar sua tese de mestrado na escola de Artes da Universidade de Nova York. Ela reconta histórias infantis ilustrando-as com obras de artistas de várias partes do mundo, usando pinturas pré-históricas encontradas em cavernas até quadros e imagens de esculturas.


Kátia também tem feito trabalhos ilustrados com tecidos, retalhos e roupas, para contar histórias roteirizadas pela evolução do vestuário e da moda, além do elogiado livro intitulado Histórias de valor, composto com desenhos e bordados feitos por mães de crianças internadas no GRAACC – Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer.


Para Sávia Dumont, o caminho de Pirapora para o resto do mundo parece não ter limites. Um de seus trabalhos reproduz vinte dos painéis que compõem a obra Guerra e Paz, de Cândido Portinari, recentemente trazidos da sede da ONU, em Nova York, para serem restaurados e exibidos no Brasil. Também é de iniciativa de seu grupo familiar o impressionante bordado que narra a vida da população ribeirinha do Vale do São Francisco. Foram três anos de pesquisa e trabalho, a partir do contato com moradores, desde Pirapora até a foz do Velho Chico, e seis bordadeiras compondo uma peça de dois metros de extensão cujas imagens também viraram livro.


Janaina Tokitaka quis saber quais são os temas centrais nas obras de Kátia e Sávia. As duas explicaram que cabe tudo, menos tristeza e dor. “São sempre flores, animais, cenas bonitas, lembranças alegres”, disse Kátia. “Para mim, os bordados são como uma meditação, como uma prece”, completou Sávia.

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