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Arquibancadas lotadas para Marília e Guto

Quem vê a escritora e ilustradora gaúcha Marília Pirillo no palco, tão à vontade e com tal controle sobre a irrequieta plateia infantil, custa a acreditar que ela própria, quase quatro décadas atrás, possa ter sido uma criança tímida. Mas ela foi, garantiu. E ao se esconder dos colegas durante o recreio, sem coragem de brincar, encontrou o refúgio que iria selar o seu destino: a biblioteca da escola. “Os livros é que eram os meus amigos”, confessa Marília, no calor da Tenda da Flipinha, para meninos e meninas vestindo camisetas de escolas da região, muitos deles tendo nas mãos diferentes obras da autora.


A apresentação de Marília, em parceria com o também autor e ilustrador Guto Lins, começou vinte minutos além do horário previsto, devido a um atraso de viagem. Em uma tenda lotada de crianças, no meio da tarde, sob esse inesperado verão invernal em Paraty, isso até poderia ser preocupante. Mas aí brilhou o talento do mediador Themis Correa. Ele soube distrair a plateia, tirando partido do próprio atraso para criar um clima de expectativa em torno da chegada dos convidados. Convidou ao palco até mesmo os escolares presentes, para ler histórias, e uma bem-humorada menina de olhos claros, Maria Laura da Silva Carlos, de oito anos, arrancou aplausos do público. Assim sendo, o ambiente já estava azeitado para quando Guto e Marília afinal entraram em cena, seguidos pouco depois pela mediadora titular do evento, Flora Salles.


“Sempre tive uma relação muito afetiva com o livro”, revelou Guto, antes de contar uma experiência parecida com a de Marília. Também ele, na infância, era um frequentador de biblioteca, a da casa de seu avô, no Espírito Santo. “Eu fazia lá dentro uma espécie de pique-esconde”, relatou. “E ao sair, levava sempre um livro debaixo do braço.” Mais tarde, já no ofício de ilustrador, Guto criou as imagens para histórias de outros autores até se decidir, ele próprio, a se lançar como autor. Tem hoje cerca de quarenta títulos publicados, entre obras teóricas e narrativas, no segmento da literatura infantil. 


Em O menino do capuz vermelho, um dos dois livros que lançou pela Editora Prumo, Marília criou um novo protagonista para o clássico O Chapeuzinho Vermelho, com a menina substituída por um garoto, Gustavo. E em vez da perigosa floresta, onde o lobo assedia a jovem protagonista, o que temos nessa história de Marília é um parque urbano, o da Redenção, em Porto Alegre, cidade onde a autora nasceu. Durante a conversa de quarta-feira à tarde na Flipinha, Marília falou também sobre como concebeu a história de seu último livro, Bonifácio, o porquinho, que muitas crianças da plateia tinham lido, e também deu dicas sobre o próximo, Setenta contos diminutos, a sair em breve pela Editora Biruta.

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